Perdido em mim
Poderia ter publicado esse texto antes da reflexão anterior, mas achei por bem antecipar o que se sucederia nos textos a seguir.
Acreditar ter encontrado a meia do seu sapato pode ser o pior erro de toda a sua vida.
Faz alguns anos, as dores são constantes, mas ser de touro - teimoso, persistente - talvez seja o defeito que me faz lutar, me debater dentro de mim.
Por mais saudável que eu seja, por mais forte, nunca mais me senti o mesmo. Olhar no espelho e não se reconhecer parece temeroso, mas busquei mudar.
Respei o pouco cabelo que tinha, deixei a barba crescer, me dediquei ainda mais em estar bem, ainda que sozinho.
Amigos sempre foram poucos, os novos foram bem vindos e permanecem. Os verdadeiros estão sempre a vista. Os falsos sumiram quando as máscaras caíram.
Me questiono o por que. Sempre estive de braços abertos a todos, pois dentro de mim morava a felicidade. Sim estava gordo, mas alegria engorda.
- Eu só quero quer você saiba que você não teve nenhuma responsabilidade afetiva comigo -
Me recordo de todos os nãos que disse, por temer que todo afastamento ocorresse um dia, como assim ocorreu...
Após anos ainda procurando me readaptar, volto a me acostumar com os passeios só. Quando era seguro de si e feliz estando solitário. A companhia é perversa com a gente, corremos o risco de acostumar e não querer caminhar mais sozinho.
Mas hoje, caminhar com quem? Numa sociedade crescente e vazia, onde a responsabilidade emocional com o outro praticamente não existe.
Aplicativos, festas, Carnaval... tudo mais do mesmo. Tudo igual. Nada mais intenso, nada mais honesto.
